Quando a menstruação não ocorre dentro do prazo previsto a primeira hipótese que surge à mente é a de uma gravidez. Mas os atrasos no ciclo podem ocorrer por uma série de razões que vão muito além da gravidez.

Para uma mulher é quase inevitável passar por um ou outro atraso menstrual ao longo de uma vida, e nem sempre isso é motivo de preocupação. Há dois momentos na vida da mulher em que os períodos irregulares são normais e costumam ser mais frequentes: após a menarca (a primeira menstruação) e na aproximação da menopausa.

Quando os atrasos ocorrem fora desses períodos e se tornam frequentes convém consultar um médico para avaliar o caso. As causas mais comuns para os atrasos menstruais podem variar desde desequilíbrios hormonais até problemas de saúde que requerem atenção.

Quando um ciclo é considerado irregular?

Se o período de duração do ciclo (marcado pela diferença entre o primeiro dia de cada menstruação) tende a variar constantemente, ele é considerado irregular. Em média os ciclos duram 28 dias, mas é comum que os intervalos variem entre 21 e 35 dias. Antecipações ou atrasos de 3 dias no ciclo são considerados normais. Ciclos mais longos do que 35 dias podem não ser um problema, desde que sejam regulares.

Se a sua menstruação não estiver dentro desses intervalos, pode ser por um dos seguintes motivos.

6 causas de menstruação atrasada
1. Estresse e ansiedade

Quando exposto a níveis muito grandes de estresse e ansiedade, o corpo produz alterações importantes que afetam o funcionamento do hipotálamo (responsável pelo equilíbrio do organismo) da hipófise (glândula que controla o sistema endócrino) e inibem a ovulação.

Além disso, quadros de estresse e ansiedade prolongados podem causar doenças, além de ganho ou perda repentina de peso, que também acabam interferindo no ciclo.

É importante buscar a ajuda de um psicólogo quando os problemas emocionais prejudicam a menstruação. Algumas técnicas de relaxamento e meditação também podem ser incorporadas à rotina para uma mudança de estilo de vida.

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2. Síndrome do ovário policístico (SOP)

A síndrome dos ovários policísticos (SOP) é uma desordem endócrina relativamente comum que afeta entre 6% e 10% das mulheres em idade reprodutiva, segundo dados Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).

Em linhas gerais, ela se caracteriza pelo aumento da produção de hormônios masculinos que gera um desequilíbrio hormonal no corpo da mulher, capaz de tornar a ovulação irregular ou de interrompê-la. A doença também pode vir acompanhada de outros sintomas, como ganho de peso, hirustismo (aumento da quantidade de pelos) e acne.

O tratamento para a SOP busca alívio dos sintomas e o uso de medicamentos para ajudar a regular o ciclo.

3. Dietas restritivas

É comum mulheres com distúrbios alimentares, como anorexia nervosa ou bulimia, sofrerem de amenorreia, mas ela também pode atingir adeptas de dietas muito restritivas. Nos períodos de muita restrição alimentar, o corpo pode reduzir algumas de suas atividades consideradas menos importantes (como a reprodutiva) para garantir energia suficiente para preservação de funções vitais.

Uma alimentação balanceada é importante para manter o funcionamento do corpo como um todo. Por isso, é recomendável que as dietas sejam acompanhadas por um nutricionista.

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4. Obesidade

Tal como as dietas muito restritivas, uma alimentação muito gordurosa também pode afetar os ciclos menstruais. Isso ocorre porque os hormônios femininos são armazenados e metabolizados no tecido adiposo e grandes quantidades de gordura nesse tecido acabam interferindo no funcionamento da hipófise, alterando todo o ciclo menstrual.

Um médico deve recomendar uma dieta e um plano de exercícios se ele determinar que a obesidade é um fator para atrasos menstruais.

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5. Menopausa precoce

A menopausa, que marca o fim da menstruação da mulher, costuma ocorrer entre os 45 e os 55 anos, mas ela pode chegar antes mesmo dos 40 anos, caracterizando uma menopausa precoce. A ocorrência é marcada pelos mesmos sintomas da menopausa:

  • Ausência de menstruação (amenorreia);
  • Ondas de calor;
  • Suores noturnos;
  • Ressecamento vaginal;
  • Redução do apetite sexual, entre outros.

O tratamento é feito por meio de terapias de reposição hormonal para alívio dos sintomas e para a prevenção de doenças que podem começar a surgir a partir dessa fase.

6. Doenças

Algumas doenças como diabetes, endometriose, mioma ou problemas na tireoide podem afetar o ciclo.

Alterações dos níveis de açúcar no sangue podem provocar mudanças hormonais. Embora seja raro, o diabetes mal controlado pode alterar o ciclo menstrual.

O excesso ou diminuição dos hormônios produzidos pela tireoide podem ser a causa da menstruação atrasada. Isso ocorre porque a tireoide é responsável pela regulação do metabolismo no corpo. Alterações provocadas por hiper ou hipoatividade da glândula podem afetar o metabolismo e consequentemente os níveis de hormônio no corpo.

Da mesma maneira, a presença de miomas uterinos ou a endometriose provocam alterações hormonais que podem ter reflexos sobre o ciclo e culminar em uma amenorreia.  

Quando ver o médico?

Seu médico pode diagnosticar corretamente o motivo do atraso ou não menstruação e discutir suas opções de tratamento. Mantenha um registro das mudanças em seu ciclo, bem como outras mudanças de saúde, para mostrar ao seu médico. Isso o ajudará a fazer um diagnóstico.

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