Pela proximidade, a dor no peito normalmente é associada ao coração. Mas nem sempre é isso que provoca a dor ou até mesmo o desconforto. Por incrível que pareça, até alterações no sistema digestivo ou mesmo ansiedade podem causar esse tipo de dor. A seguir, aprenda a identificar possíveis causas da dor no peito.

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1. Problemas no coração, inclusive ataque cardíaco

A dor no peito que tem problemas no coração como causa ocorre quando o fluxo de sangue para o coração é reduzido e/ou há alteração da frequência dos batimentos, acelerando ou diminuindo.

Além de dor no peito, sintomas como formigamento no braço esquerdo e pescoço, náusea e até vômito podem indicar que algo não vai bem com a saúde cardiovascular. Dores nas costas, suor frio e, em casos extremos, desmaio também são alertas. E a lista não para por aí.

De acordo com especialistas do Hospital do Coração, falta de ar, queimação no estômago sem relação com alimentos e incômodo no peito que aparecem após a prática de exercícios e desaparecem ao descansar também são sintomas comuns que podem indicar doenças cardiovasculares.

Mas como saber que essa dor no peito aponta para um problema de emergência, como um ataque cardíaco?

O principal sinal de que isso está acontecendo é quando a dor no peito é aguda, perdura por mais de 20 minutos e se irradia para o braço ou ombro esquerdo. A pessoa ainda pode ter a sensação de que algo aperta o coração, sentir falta de ar, fadiga, azia, dor nas costas e no pescoço, além de apresentar suor excessivo.

Nesse caso, é preciso procurar um atendimento de emergência e, lá, descobrir a verdadeira causa da dor no peito. Se for mesmo o caso de um ataque cardíaco, a agilidade no atendimento pode salvar uma vida. Portanto, atenção!

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2. Refluxo gastroesofágico

Refluxo gastroesofágico é o retorno involuntário e repetitivo do conteúdo do estômago para o esôfago (que fica na região da garganta). De acordo com o Ministério da Saúde, entre as principais causas do problema estão:

  • Alterações no esfíncter que separa o esôfago do estômago e que deveria funcionar como uma válvula para impedir o retorno dos alimentos;
  • Hérnia de hiato provocada pelo deslocamento da transição entre o esôfago e o estômago, que se projeta para dentro da cavidade torácica;
  • Fragilidade das estruturas musculares existentes na região.

Além da dor no peito (de caráter intenso), azia ou queimação que se origina na boca do estômago e pode atingir a garganta, tosse seca e doenças pulmonares de repetição (como pneumonias, bronquites e asma) podem ser sintomas de refluxo gastroesofágico.

A boa notícia é que os principais fatores de risco para o problema podem ser controlados com mudanças no estilo de vida, como controle do peso corporal e reeducação alimentar. Entenda as razões:

Obesidade: os episódios de refluxo e dor no peito tendem a diminuir com a perda de peso
Controle das refeições: fazer refeições volumosas antes de se deitar e fazer ingestão de alimentos como café, chá preto, chá mate, chocolate, molho de tomate, comidas ácidas, bebidas alcoólicas e gasosas tendem a piorar o problema.

Mesmo que você se identifique com os sintomas de refluxo gastrointestinal, é preciso procurar atendimento médico para que a dor no peito seja corretamente diagnosticada e tratada.

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3. Problemas digestivos, como gases e pedra na vesícula

Estômago e intestinos estão mais afastados do peito do que o coração e, mesmo assim, podem causar dor no local.

Um dos motivos mais comuns é o excesso de gases: o acúmulo de ar no intestino pode empurrar órgãos abdominais, resultando em dor no peito. Nesse caso, a dor é caracterizada como uma pontada aguda que se repete, especialmente ao dobrar o abdômen.

Em geral, o acúmulo de gases pode ser provocado pela ingestão de certos alimentos (como leguminosas, repolho, couve-flor, brócolis, ovo, entre outros) ou pela prisão de ventre (que melhora com maior ingestão de água, alimentos ricos em fibras e atividade física).

Para aliviar a dor no peito em caso de excesso de gases, massagear o abdômen pode ajudar. Se o quadro persistir, é importante procurar um médico.

Outro problema digestivo que pode causar dor no peito é quando a vesícula biliar não está funcionando bem, prejudicando a quebra e eliminação de gorduras da alimentação. Nesse caso, a dor no peito surge no lado direito e piora depois de comer, especialmente alimentos mais gordurosos. Náuseas e sensação de estômago cheio também podem ocorrer nesse caso.

Atenção: como a dor no peito causada pela vesícula pode irradiar para o coração, parecendo um infarto, é importante que seja avaliada por um médico o quanto antes. Até porque, problemas na vesícula também podem ser muito sérios. Não perca tempo!

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4. Transtorno de ansiedade

A ansiedade é algo comum na rotina. Especialmente no Brasil, que foi considerado o país mais ansioso do mundo pela Organização Mundial da Saúde. Mas aspectos emocionais que evolvem o problema, como preocupação excessiva, medo, angústia, dúvida e expectativa, também podem se traduzir em sintomas físicos.

De acordo com a Associação Brasileira de Psiquiatria, além de dor no peito, sensação de sufocação, de morte iminente, taquicardia, tontura, sudorese, tremores, sensação de perda do controle e até alterações gastrointestinais podem indicar que a ansiedade saiu do controle.

Buscar o tratamento adequado é fundamental, já que transtornos de ansiedade podem evoluir para condições mais sérias como transtorno de pânico, depressão ou abuso de álcool ou drogas.

Em geral, além do atendimento psicológico, pode ser necessário fazer uso de medicamentos também. Mas quem vai dizer isso é um especialista, levando em conta o quadro clínico e emocional. Se você se identifica com os sintomas de transtornos de ansiedade, converse com nossa equipe de psicólogos para orientação específica.

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5. Lesões musculares

Os tipos mais comuns de lesões musculares são as distensões. Quando acontecem na musculatura do tórax ou da parte superior das costas, podem causar dor no peito.

As distensões musculares podem ocorrer de duas maneiras:

  • Distensão aguda — Quando os tendões e os músculos solicitados se contraem de repente e com grande intensidade. Fazer força de maneira brusca, levantar objetos pesados ou praticar esportes de contato são situações comuns em que isso acontece;
  • Distensão crônica — É consequência da prática de exercícios repetitivos, prolongados e que solicitam sempre os mesmos músculos. No caso, os músculos do tórax ou das costas. Esse é o tipo de distensão que afeta os atletas ou pessoas que praticam exercícios sem condicionamento ou supervisão — mais um importante motivo de procurar um educador físico.

Em caso de distensão muscular, a dor no peito pode vir acompanhada de pontadas e dificuldade de movimentação do músculo comprometido. Fique atento a esse aspecto e, mesmo que o problema tenda a se resolver sozinho dentro de alguns dias, não deixe de investigar a causa do sintoma.

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Quando se preocupar com a dor no peito?

Como vimos, a dor no peito não está, necessariamente, ligada a um infarto. Apesar de apontar para condições mais sérias, também pode ter origem naquelas em que o próprio corpo ou uma mudança no estilo de vida pode resolver.

Assim, é preciso se preocupar e até buscar atendimento de emergência quando:

  • A dor no peito vem acompanhada de falta de ar repentina;
  • É recorrente;
  • Também traz uma dor opressiva no tórax;
  • Não passa ou piora e tem duração de mais de 10 minutos;
  • Traz aperto ou queimação na região peitoral;
  • A dor irradia para o braço esquerdo, costas, rosto ou mandíbula;
  • Também causa mal-estar, suor frio e tonturas.

Dessa forma, ao sentir dor no peito, atente para outros sintomas e procure atendimento de emergência ou um médico para diagnóstico e tratamento adequados. Se precisar de ajuda nessa avaliação, converse com nossa equipe multidisciplinar. Clique para conhecer.

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